terça-feira, 20 de janeiro de 2015


VENTOS DE CACHORRO LOUCO NO TRF 3

Lord, meu vira lata com cara de labrador, parou meio assustado no gramado do parque, no meio de uma nuvem de poeira e folhas secas e papeis carregados por um vento forte, incomum. "È o vento norte, vento de cachorro louco", lembrei da frase do meu saudoso avô Ernesto, enquanto um arrepio percorreu minha espinha. Apertei o passo pra casa, arrastando meu dois vira latas com rédeas curtas e sem muita explicação. Obedeceram adestradamente.
Meu avô era um camponês analfabeto. Mas tinha uma sabedoria de homem da terra, muito peculiar. Era capaz de dizer a fase da lua a qualquer momento que lhe fosse perguntado. Sabia quando ia chover e os tempos exatos de plantar, capinar e colher qualquer tipo de plantação. Soube por ele que a poda deve ser feita com a minguante de agosto e que nesse mês começa a soprar o vento norte, anunciando o fim do rigor do inverno. Agosto é o mês de cachorro louco, lobisomem e uma série de sortilégios e perigos para as crianças desprevenidas. Era com se esses ventos fortes liberassem coisas ruins e maldades enterradas inertes, a espera de uma chance de agir, me ensinou Ernesto, meu avô.
No caminho de casa, entre as lufadas do vento do norte que enchiam  meus olhos de poeira, uma ideia martela meus pensamentos. Ventos estranhos sopram no TRF3, nesse "entardecer" da gestão Newton de Lucca. Procedimentos, que como o vento de cachorro louco, remexem as coisas e fazem aparecer doenças há algum tempo adormecidas. Ventos que estão deixando os que aqui trabalham doentes. Ventos que nos deixam loucos.
A área meio, vem sofrendo radicais modificações, com trocas de chefias, projetos e procedimentos de toda a ordem. Eu sempre desconfio de alguém que é presenteado com um cargo e se esmera por querer "mudar" procedimentos que estavam indo bem há décadas, as vezes, simplesmente para buscar deixar uma marca pessoal. E geralmente da onde menos se espera, daí que não vem nada mesmo, já diz o ditado. Mas como já ocorreu no passado, geralmente quando se implantam essas ideias, com chefes inseguros e prepotentes à frente, mais do que melhorias, acompanham uma lufada de autoritarismos e desmandos sobre os subordinados.
São inúmeros exemplos que poderíamos elencar. Dois, ao meu ver são simbólicos. 
O ritmo de trabalho aumentou drasticamente nesse último período. Qualidade hoje é sinônimo de quantidade. Este mês houve um aumento surpreendente na distribuição de processos para a segunda instancia. Capas rosas dos processos se amontoam pelas mesas e corredores, com pedidos de aposentadoria. Sem concurso, sem novos servidores, não tardou para que os tambores aumentassem o ritmo de trabalho nos gabinetes e turmas. Houve casos em que a meta passou de 3 ou 4 processos diários por servidor, para uma meta de 10 por dia. E é assim. Se vira. Tem que bater a distribuição semanal. É a busca do sistema "Just in time", sem estrutura, mas com um chicote na mão.
O que fica claro nesses processos é que as ordens descem do "olimpo" sem muito planejamento. O primeiro resultado destes rompantes é que reaparecem, das cinzas, como as doenças vindas com os ventos do norte, chefes, supervisores e colegas perversos. O terreno para o assédio moral está preparado. 
Quando o signo da administração se volta para uma gestão repressora, aos poucos as coisas vão aparecendo. Tudo caminha para piorar a vida dos trabalhadores. 
Há anos havia um símbolo de humilhação neste tribunal, o tal do "banquinho do RH". Os servidores que saíam de um setor, permaneciam sentados em um banco no corredor do RH, as vezes por meses a fio. Há algumas gestões conseguimos mudar para uma sala reservada, com janela, ramal e terminal de computador. Mesmo assim, muitos adoeceram, foram aposentados e até demitidos enquanto esperavam por uma vaga e lá esperavam.
Uma nova inovação foi arquitetada por algum chefes que abrilhantam esta gestão. Os colegas que aguardam vaga nos setores, deverão agora, para melhor controle, ficar em uma sala interna, com vidros. Digamos, uma espécie e "aquário", para que possam ser monitorados pelos responsáveis dos Gestores de Pessoas. É um símbolo novo que se instala. Um vento do norte, um novo sinal que é passado para as chefias do Tribunal, um lamentável sinal de que o trabalhador comum está, de cara errado, tem que ser vigiado e humilhado para que se adeque ao ritmo novo da gestão.
Não é coisa do vento do cachorro louco? Somente esse fenômeno, com suas fortes rajadas poderia desenterrar tão “brilhante” ideia. Estava certo Ernesto, quando dizia pra tomar cuidado com os ventos do norte.
São os ventos de cachorro louco que cortam as "arcadas" deste Tribunal, endurecendo barbas indiferentes e com outras ocupações e preocupações.

Bem vinda a campanha que o Sintrajud está iniciando contra o
Assédio Moral.

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